• EditoraMatarazzo05Banner0000.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0001.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0002.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0003.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0004.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0005.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0006.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0007.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0010.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0011.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0012.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0013.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0018.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0019.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0021.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0022.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0023.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0090.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0100.png
  • EditoraMatarazzo05Banner0110.png
 
       
 
 

É de suma relevância o conhecimento de fatos históricos, pois da fixação deles resultará a tomada de consciência de que o passado não é somente um tempo que não volta, mas que o passado é, sim, a base para as atividades de hoje e o fundamento para os empreendimentos do amanhã.

Desse pensamento, há fatos que antes de serem apenas lembrados precisam ser entendidos, avaliados, interpretados, para que deles se compreenda o quanto foram importantes em sua época e quanto deles resultam consequências para os tempos atuais e para os dias futuros.

Esta obra, produzida pela Editora Matarazzo - São Paulo dá enfoque a um dos momentos mais palpitantes e épicos da história do Brasil e do povo paulista. Pretende realçar a epopeia que se revestiu de patriotismo, de civismo e de entusiasmo jamais experimentados no seio de uma sociedade que, sobretudo, desejava fazer voltar aos ditames da legalidade constitucional o país que se via subjugado por um regime político totalitário, imposto sob o inaceitável jargão de “governo provisório” e de amargas posturas ditatoriais.

A epopeia que recebeu o título de Guerra Paulista teve ápice sangrento no ano de 1932, cuja semente fora lançada a partir da ascensão da “era Vargas” que poria fim ao que se intitulou “República Velha”. No despertar dos anos 1930 as ebulições do “Tenentismo” que pugnava por modificações na Constituição, desencadeado desde os “18 do Forte” de 1922, que foram sufocados, em sua tresloucada e incipiente insurreição, não longe das areias de Copacabana, e dos irreconciliáveis opositores do presidente Artur Bernardes, promotor de um governo eivado de desmandos, glamour e ostentação e que desrespeitava as classes trabalhadoras que sustentavam o país. Sitiados, a 5 de julho de 1924, na Capital paulista, cuja cidade fora cruelmente bombardeada, resistiram enquanto puderam até a retirada decepcionante das tropas lideradas pelo comandante Miguel Costa, e da coluna gaúcha, liderada por Luiz Carlos Prestes.

O caldo insurrecional, então efervescente, fora condimentado por razões políticas, econômicas e oligárquicas, cujo ingrediente principal motivara o destacado sulista Getúlio Vargas a insurgir-se contra a chamada política do “café com leite”, um processo nacionalmente consentido pelas oligarquias partidárias e econômicas, que fazia revezar eleitoralmente paulistas e mineiros na presidência da República.

Nesse ponto da história republicana, ocupava a presidência o ilustre político Washington Luís Pereira de Sousa, nascido na cidade fluminense de Macaé, um advogado, historiador e político brasileiro, décimo primeiro presidente do estado de São Paulo, décimo terceiro presidente do Brasil e último presidente efetivo da “República Velha”. O “Paulista de Macaé”, pois, embora nascido no estado do Rio de Janeiro, tinha sua biografia política toda construída no estado de São Paulo.

Em 1929, Washington Luís apoiou à sua sucessão Júlio Prestes de Albuquerque, presidente do estado de São Paulo, e o presidente da Bahia, Vital Soares, como candidato a vice presidente. Com isso, rompia com a política do “café-com-leite”, o que desagradou os políticos e oligarcas mineiros.

Presidentes de dezessete estados apoiaram o candidato indicado por Washington Luís. Apenas os presidentes de três estados negaram apoio ao candidato Júlio Prestes: de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e da Paraíba (até hoje, lê-se “NEGO” na bandeira da Paraíba).

Os presidentes destes três estados e políticos de oposição de diversos outros estados se unem formando a Aliança Liberal e lançam Getúlio Vargas candidato a presidente da república, e o Presidente da Paraíba, João Pessoa, como candidato a vice-presidente em sua chapa.

Em 1 de março de 1930, Júlio Prestes venceu a eleição contra os protestos da oposição que denunciava fraude. Sob tal pretexto, Washington Luiz foi deposto em 24 de outubro de 1930, vinte e um dias antes do término do seu mandato como presidente da República, por um golpe militar que passou o poder, em 3 de novembro, às forças político-militares comandadas por Getúlio Vargas, na denominada Revolução de 1930.

A partir de então, instalara-se o poder ditatorial que estabelecera o “governo provisório” que se dizia precursor de uma nova Constituição e de eleições democráticas livres, para retomada do curso constitucional do país. No entanto, tal pleito, principalmente dos paulistas, não foi atendido. O que se viu foi a abolição da então vigente Constituição de 1891, a primeira Carta dos primórdios republicanos e por meio de decreto de não mais que dezessete artigos, a destituição das assembleias estaduais e municipais e a revogação de inúmeros direitos e prerrogativas assegurados na Constituição. Suprimiu-se a autonomia das unidades federativas, depuseram-se os seus governantes e as eleições foram também suprimidas. Para a governança estadual, foram impostos interventores militares, por nomeação do poder central.

No contexto de tal totalitarismo, São Paulo, estado de maior pujança, forte economia, e poder político, sentiu-se desprestigiado, inclusive na escolha de seu governante estadual, sendo os paulistas obrigados a submeterem-se a um intenvertor estranho, militar e não paulista, em detrimento de todo o poder que antes desfrutava. Também em seus estados, forças oposicionistas ao poder ditatorial mobilizavam-se no Rio Grande do Sul e Minas Gerais contra o governo ditatorial.

Dissociou-se do governo Vargas o Partido Democrático que lhe dava apoio e aliou-se ao Partido Republicano Paulista, formando a Frente Única Paulista (FUP). Essa frente exigia a restituição da autonomia política de São Paulo, a nomeação de um interventor civil e paulista para o Estado, e a reconstitucionalização do país. Assim que essa frente foi fundada, preparou-se um levante armado sob o comando do general Isidoro Dias Lopes, militar anteriormente integrante do movimento tenentista.

Para enfraquecer os propósitos da FUP, Getúlio Vargas indicou um interventor civil e paulista para o Estado de São Paulo, o diplomata Pedro de Toledo. Também apresentou um novo Código Eleitoral e marcou as eleições dos deputados constituintes para 1933. Contudo, os conflitos em São Paulo não foram aplacados. Em um enfrentamento entre as forças legalistas e manifestantes no centro da Capital, em 23 de maio de 1932, morreram os estudantes Miragaia, Martins, Dráuzio e Camargo. As iniciais dos nomes desses estudantes - MMDC, passaram a ser a nomenclatura do movimento que pretendia destituir Getúlio Vargas.

Foi esse episódio considerado o estopim para eclosão da luta armada, desencadeada a partir de 9 de julho daquele ano. O conflito despertou nos paulistas e em muitos brasileiros simpáticos à causa, um sentimento cívico e patriótico jamais observado antes, atraindo para o alistamento centenas de milhares de voluntários. A classe média representou importantíssima sustentação ao movimento dos constitucionalistas. Operários, agricultores, estudantes, professores, profissionais liberais, o comércio e a indústria, e com o destacado papel das mulheres e da juventude em geral.

A luta levada aos campos de batalha em todo o estado de São Paulo durou de 09 de julho a 02 de outubro de 1932, desdobrando-se em impressionantes e terríveis lances de combate militar. Comparativamente desigual e inferior às forças federais, o chamado “Exército Constitucionalista” contava com a Força Pública paulista, com 10.000 combatentes regulares, com 4 aviões, 5 trens blindados construídos ao longo do conflito, além de número incerto de outros veículos blindados, também construídos ao longo da guerra. O voluntariado somava 40.000 combatentes oriundos de 200.000 alistados.

Essa força, formada quase que sem treinamento, com escasso e obsoleto armamento e pouca munição por combatente, sem suprimentos suficientes, se viu obrigada a abandonar a tática de avançar e tentar depor Getúlio e passou a defender São Paulo da invasão federal, uma vez que não mais contou com as forças gaúchas e mineiras que aderiram aos federais, vendo-se os paulistas cercados e isolados, frente a todo o Exército, Marinha e aviação disponível no país, além das Forças Públicas estaduais, totalizando um adversário sempre bem preparado e suprido de cerca de 100.000 homens possuidores de desproporcional quantidade de armamento, ao final do conflito.

A derrota, no campo das armas, foi fragorosa. Terminados os combates, ao fim de 84 dias de sangrenta refrega, contabilizou-se 934 mortos em números oficiais e 2.200 em números estimativos. Mas no campo político, ideológico e principalmente cívico, reconhece-se no povo paulista o espírito legalista e patriótico que jamais o fizera declarar-se derrotado. Essa assertiva é considerada sob a certeza de que o governo de Getúlio curvou-se em face da enorme pressão exercida pelo Movimento Constitucionalista de São Paulo.

Malgrado a derrota militar, a insurreição paulista influiu na convocação da Assembleia Nacional Constituinte no ano de 1933. Em 1934, a Constituição foi concluída. Nessa nova Constituição se fez incluir a representação classista de empregados, empregadores, profissionais liberais e funcionários públicos no Congresso Nacional. Na Constituinte ocorreram eleições para chapas, e a Chapa Única por São Paulo Unido - composta por membros da FUP que não foram exilados, saiu-se vitoriosa.

Afirmam André Ramos Tavares, sócio titular do IHGSP, e Paulo Adib Casseb, presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015, em ensaio produzido por ambos, que “Daí uma conclusão irrepreensível: a Revolução representou uma grande vantagem histórica para a sociedade brasileira e nossa cultura constitucional. E isso se pode afirmar não por termos agora um documento formal consubstanciado em Lei nacional de reconhecimento direto, nem por ter havido uma espécie de ‘triunfo moral’ (do qual falava o insigne Carlos Maximiliano), pois dessa vitória é devedora a comemoração dos 80 anos da Constituição de 1934 (2014) e, sobretudo, do legado constitucional do país, que seria reassumido em 1946 e se consolidaria definitivamente, a partir de 1988, em nosso processo de construção civilizatória”.

Concluo, reportando-me à introdução deste prefácio e cumprimentando a todos os participantes desta antologia sobre o Movimento Constitucionalista de 1932 e à Editora Matarazzo por acolher a proposta de preservação da memória deste acontecimento épico da vida de São Paulo e do Brasil, posto entender serem complementares o respeito à história e a atuação no presente, elementos imprescindíveis para os avanços salutares de um povo em direção ao futuro.

Jairo Bonifácio
Presidente da Associação Cívica, Cultural e Histórica dos Capacetes de Aço de São Vicente.

 

TEMAS / PARTICIPANTES

QUEM FOI PÉRIO DE SOUZA QUEIROZ FILHO? - O Homem que dá nome à Medalha Símbolodos Capacetes de Aço de São Vicente
Edson Santana do Carmo

MESMO DERROTADO, SÃO PAULO É A LOCOMOTIVA DO PAÍS
Silvio Henrique Martins

1932 - O ATAQUE À FORTALEZA DE ITAIPU
Flávio Viana Barbosa

A LIÇÃO DE TRINTA E DOIS
Carolina Ramos

MEMÓRIA E REVERÊNCIA AOS AMPARENSES QUE TOMBARAM EM 32
Guilherme Mantovani Coli

“SÃO PAULO CONTRA A DITADURA”: O LIVRO QUE ENFRENTOU GETÚLIO VARGAS
José D’Amico Bauab

OS IDEAIS DEMOCRÁTICOS DE 1932
Luiz Alexandre Kikuchi Negrão

SOLDADO CONSTITUCIONALISTA
Sonia Maria Ferreira Delsin

60 ANOS - ASSOCIAÇÃO CÍVICA, CULTURAL E HISTÓRICA DOS CAPACETES DE AÇO DE SÃO VICENTE
Rossidê Rodrigues Machado

SOLDADO PAULISTA “IN MEMORIAN”
Camila Giudice

UMA LIÇÃO DE CIVISMO E CIDADANIA
Fernando Canto Berzaghi

SÍMBOLOS PAULISTAS - REVISITANDO A NOSSA HISTÓRIA
Tiago José Berg

 

Dados técnicos
TÍTULO:
Para sempre 32 - vol. II
AUTOR: diversos
EDITORA: Matarazzo
IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura P&B. Papel couchê fosco 90 gr/m².
ILUSTRADO: sim
FORMATO: 14 x 21 cm
PÁGINAS: 112
ANO DO COPYRIGHT: 2017
ANO DE EDIÇÃO: 2017
ISBN: 978-85-69167-72-3
EDIÇÃO: