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A princípio todo paulistano é aquele que nasce na capital paulista, ou seja, na cidade de São Paulo, um emaranhado de gente aglomerada em 1.521 quilômetros quadrados com uma população que já ultrapassa os 12 milhões de habitantes. Viver em São Paulo não é fácil, mas com o tempo se descobre que a vida do paulistano é feita de trabalho, esforço, sofrimento, mas também de divertimento, comemorações e convivência, tenha ele, ou ela, nascido ou não nesta agora megalópole fundada há quase 500 anos por padres jesuítas.

Sou um desses paulistanos em comportamentos e manias. Costumo agendar um encontro de amigos como se fosse trabalho, com quinze dias de antecedência e, na véspera, telefono para confirmar a presença. Me vanglorio em dizer que São Paulo é o melhor lugar do mundo, embora conheça as mazelas e os defeitos que existem aqui sendo alguns desses problemas de difícil solução. Mas quando gostamos de um lugar, gostamos e pronto, não dá para explicar.

Trato São Paulo como se fosse um parente que queremos bem, mas que tem lá os seus defeitos. Quando ouvimos alguém falando mal, saímos em defesa. Você também já ficou a favor de São Paulo em alguma discussão? Certamente quase todos responderão sim e foi por esses motivos que a Editora Matarazzo teve a ideia de reunir uma série de histórias, contos e poesias mostrando a cidade de São Paulo como ela é; boa, acolhedora, e bonita, mas também feia, perversa, implacável e difícil de se entender.

De fato, para se compreender São Paulo, é preciso morar nela. Quem vem de fora estranha e demora certo tempo para entender como funcionam as coisas. Este processo de estar sempre na correria, de se resolver tudo depressa, de não ter tempo para nada, é difícil de explicar pois são situações que quase não acontecem em outros lugares, mas que na prática dão resultados. Em São Paulo, uma construção que começa termina, os negócios pequenos se tornam grandes e as coisas acontecem sem ter que ficar esperando muito tempo. Há práticas e um jeito de trabalhar que só se aprende em São Paulo e o resultado desse aprendizado, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas, ajuda a fazer crescer outras cidades. Há dificuldades por aqui como as conduções lotadas, o trânsito congestionado e a violência daqueles que ainda não entenderam este sentido de viver.

Surgida como escola, São Paulo serve agora de escola da vida para muita gente e por causa disso as pessoas vão chegando e aqui ficando e os que nascem começam a aprender desde pequenos que o objetivo principal de estar aqui tem um nome, trabalho.

Os moradores aprendem nas ruas um dialeto não pronunciado em outras plagas e aqui se fala meio que cantando tipo: “Tudo bem, bélô?” ou “Sou da Móka, meu”! Também há gírias: “mano”, para um amigo; “cara”, para uma pessoa; “sanduba”, para um sanduíche, “padoca”, para a padaria. Surgem termos inventados pela população e que só os paulistanos entendem como; “treta”, “embaçado”, “da hora”; além dos aumentativos. Ônibus é “busão”, telefonema é “ligão” e carros usados ganham apelidos: perua Kombi é “Kombosa”, dono de Fusca e “Fusquetoso”.

Palavras abreviadas são comuns entre os habitantes: Mãe é “mã”, pai é “pá”. Fá, que para os demais brasileiros é uma nota musical, para os nativos da Pauliceia serve para se chamar alguém cujo nome é Fábio, Fabíola, Fabrício, etc. José será sempre Zé. Zé Carlos, Zé Paulo, Zé Roberto, Zé Raimundo. Outra mania é a de se pronunciar apenas no singular. “Dois pastel”, “dois real” ou ainda no plural quando este não se faz necessário, tipo “um chopps”, e assim por diante.

Há quem explique que este modo característico de conversar se deve à influência dos imigrantes que trouxeram outras línguas e misturadas ao português, já pronunciado de maneira errada pelos nossos ancestrais, deu no que deu. É possível. Afinal, e muito já se falou sobre isso, São Paulo continua sendo maior cidade de italianos fora da Itália, de japoneses fora do Japão e de libaneses, fora do Líbano, além de tantas outras culturas e raças que fazem desta Sampa cantada por Caetano Veloso, uma Cosmópolis, como explicou certa vez em um livro o poeta Guilherme de Almeida.

A cidade que já permitiu a tantos acumular riquezas obtidas com o suor do dia-a-dia tornou o cidadão paulistano, de um modo geral, uma pessoa mão aberta, pois é comum por aqui ser solidário. Se você estiver de manhã em um bar ou em uma padaria e alguém te pedir, não dinheiro, mas que pague um café com leite ou um pão com manteiga, você irá negar? Certamente não. Por isso que eu digo, o povo de São Paulo ainda sabe compartilhar, embora cada vez mais fechado no interior dos apartamentos, alguns sem sequer cumprimentar o vizinho.

Portanto, a oportunidade ao se abrir este livro é para que você abra também o seu coração e descubra dentro dessas todas “paulistanices” um pouco de cada um de nós e o quanto ainda temos de seres humanos naquilo que há de bom e de melhor.

Geraldo Nunes
Jornalista, escritor e radialista

TEMAS / PARTICIPANTES

BRASENSE DE CORPO E ALMA: MATHEUS RODAK
A Casa do Ator de São Paulo

PRECIOSIDADES DO LARGO DA MISERICÓRDIA
Thais Matarazzo

SÃO PAULO DE TODOS OS TEMPOS E O SENTIDO DE RESPEITO À CIDADE
Geraldo Nunes

PAULISTANICES OBSERVADAS POR UM GUIA DE TURISMO
Laércio Cardoso de Carvalho

VILA PRUDENTE, LEMBRANÇAS...
Júlio Araújo

TUPI OR NOT TUPI

A CIDADE EM MIM
Marcos Horto

DESEMBARCANDO NO PARI
Carmem Toledo

OS SABIÁS DO PARQUE DA ACLIMAÇÃO!
Mano Martins

PAULISTANA COM SOTAQUE ITALIANO - ORRA MEU!!

MOOCA, SEMPRE MOOCA
Solange Colombara

MINHOCÃO

MERCADÃO

METRÔ
Coradi

SANTO AMARO
Oswalda Rodrigues Mendonça

ENTREVISTA DE EMPREGO

NA FILA DA ESCRAVIDÃO

O INTERVALO
Marly de Souza

BUTANTÃ E CAMPO LIMPO: CONTRASTES EM UM CAMINHAR
Christian Silva Martins de Mello Sznick

Dados técnicos

TÍTULO: Paulistanos & Paulistanices
AUTOR: vários autores
EDITORA: Matarazzo
IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura P&B. Papel couchê fosco 90 gr/m².
ILUSTRADO: sim
FORMATO: 14 x 21 cm
PÁGINAS: 132
ANO DO COPYRIGHT: 2017
ANO DE EDIÇÃO: 2017
ISBN: 978-85-69167-65-5
EDIÇÃO: