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Um dos bairros mais tradicionais e antigos de São Paulo, o Brás completa em 2018 o seu Bicentenário.

Nas Atas da Câmara Municipal já constavam, em 1769, primeiras referências do chacareiro português José Brás, que deu origem ao nome da localidade. Ele havia erigido naquela época uma capela dedicada ao Bom Jesus de Matosinhos, na Rua do Brás, atual Avenida Rangel Pestana.

Mais tarde a capelinha foi substituída por uma Igreja, em 1803, elevada à categoria de paróquia aos 8 de junho de 1818, por decreto de El Rei Dom João VI. A capela era ponto de paragem obrigatória para a Penha de França. Muitas romarias passavam desde a Sé, utilizando o Caminho do José Brás, até a Penha. Bom Jesus de Matosinhos tinha muitos devotos, que iam ao local em busca de cura para as moléstias da época.

O bairro, que em seu início era uma imensa copa verdejante, com várias chácaras, entre elas, a Chácara do Ferrão, que pertencera à Marquesa de Santos, e a Chácara do engenheiro Carlos Bresser, foi dando lugar a fábricas, com a chegada de imigrantes europeus, a partir de 1890, na Hospedaria dos Imigrantes, no próprio Brás. Eram italianos, espanhóis, portugueses, alemães, sírio-libaneses, japoneses, entre outros, com o desejo de uma vida melhor no Brasil. Muitos foram enviados às fazendas do interior de São Paulo para trabalho nas lavouras de café, outros ficaram na Capital, onde eram operários de poderosas fábricas, entre elas as Indústrias Reunidas Matarazzo, fazendo parte o Moinho Matarazzo e a Tecelagem Mariângela. Grande parte do poderio industrial, tanto dos proprietários como dos operários, vem da força italiana. Em 1917, o Dr Jorge Street inaugurou sua fábrica, a Companhia Nacional de Tecidos da Juta, e uma vila para moradia de seus 2.500 operários, batizando-a de Vila Maria Zélia, primeira vila operária do Brasil.

Sírio-libaneses abriram, no começo da década de 1930 na Rua Oriente, lojas de confecção no atacado, e Nordestinos começaram a vir na década de 1940, desembarcando na Estação do Norte, atual Estação Brás. O Metrô, introduzido no bairro na segunda metade da década de 1970, provocou várias desapropriações de imóveis, mas trouxe progresso ao bairro, incrementando o Turismo de Compras. Coreanos chegam na década de 1980 e os bolivianos, a partir da década de 1990.

Falar do Brás, bairro onde trabalho há 14 anos como Editor Geral e Repórter do Jornal do Brás (meu diretor Milton George Thame costuma dizer que “quem bebe a água do Brás, jamais sairá dele”), é contar os Pioneirismos do bairro. Sim, o Brás é pioneiro em pizzarias e cantinas, em times de futebol - aliás, foi no Brás que surgiu o futebol brasileiro, pelas mãos e pelos pés do brasense Charles Miller, em 14 de abril de 1895 na Várzea do Carmo, em jornal de bairro - jornal O Braz do Coronel Albino Soares Bairão, cujo número 1 foi lançado em 1º de setembro de 1895, e em cinemas, que eram muitos - Braz-Polytheama, Oberdan, Roxy, Universo, Savoy, Piratininga e outros. Além, é claro, do famoso Teatro Colombo, destruído por um incêndio em 1966.

O Brás é pioneiro também em escolas - a Escola Romão Puiggari data de 1898, e a Escola Profissional Feminina (atual ETEC Carlos de Campos) foi inaugurada em 1911, oferecendo até hoje o Curso de Modelagem de Vestuário.

Bairro cantado e decantado em verso e prosa por muitos artistas, o Brás agradece muito ao regente, compositor, instrumentista, professor e radialista Maestro Alberto Marino, nascido em 23 de março de 1902 no bairro. Ele é o autor da música Rapaziada do Brás, valsa composta aos quinze anos de idade por ele em 1917, mas somente gravada em 1927 em solo de violino pelo sexteto “Bertorino Alma”, anagrama de seu nome.

Em 1960, seu filho Alberto Marino Júnior compôs a letra para Rapaziada do Brás, gravada no mesmo ano por Carlos Galhardo. Alberto Marino faleceu em 11 de fevereiro de 1967.

O Brás também rende tributo a Adoniran Barbosa, que em 1953 compôs o Samba do Arnesto. O saudoso Ernesto Paulelli, falecido em 2014, foi a inspiração de João Rubinato (Adoniran Barbosa) para o samba que o Brasil conhece até hoje:

O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás
Nóis fumos e não encontremos ninguém
Nóis vortemos cuma baita duma réiva
Da outra veiz nóis num vai mais
Nóis não semos tatu!

Outros cantores e escritores brasenses ou que se notabilizaram no Brás foram o saudoso seresteiro Paraguassu, Alcântara Machado (Brás, Bexiga e Barra Funda), Isaurinha Garcia, Nelson Gonçalves, poeta Midelandi, Zizi Possi, Germano Mathias, Lourenço Diaféria e muitos outros. E não podemos nos esquecer também do Dr. Dráuzio Varella, que contou sua infância no bairro em seu livro Nas Ruas do Brás. E da Loja Pirani na Av. Celso Garcia, A Gigante do Brás, dos extintos Clube Silva Teles, o “Vovô da Várzea” e Clube Independência, com seu lindo tapete vermelho, que ficava acima da Pirani e depois na Rua Dr. Carlos Botelho. Das Mammas da São Vito e de Nossa Senhora de Casaluce. Das Cantinas Balila, Castelões e Gigio. Do “Gaetaninho” e do “Beppino”, personagens de Alcântara Machado. E, por fim, da Escola de Samba Colorado do Brás que tinha Geraldo Filme e Zé Preto. Oh, Brás bucólico, boêmio, romântico e brejeiro!

São tantos nomes e lugares que não caberiam neste prefácio! Hoje aos 200 Anos, o Brás é o maior Polo de Moda da América Latina, e acolhe imigrantes vindos da Bolívia, Peru, Paraguai, Haiti, Senegal, Nigéria, etc. que trabalham com afinco nas confecções e no comércio de rua. Está cheio de templos religiosos e igrejas, denominado também “Bairro da Fé”. Aos brasenses, meus Parabéns, e ao Brás, com 200 anos de história, Progresso e Vida Longa!

Eduardo Cedeño Martellotta


TEMAS / AUTORES


GÊNESIS DO BRÁS
OS PRIMEIROS REGISTROS...
AS IRMÃS DULCE FRANÇA E LUCÍLIA GALLUCCI
BRASENSE DE CORPO E ALMA: MATHEUS RODAK
MARIA DA GLÓRIA
Thais Matarazzo

BRÁS
Coradi

BAIRRO DO BRÁS - I
BAIRRO DO BRÁS – II
BAIRRO DO BRÁS – III
Wilson de Oliveira Jasa

BRÁS
Daise Gianinni

LEMBRANÇAS DO BRÁS
Yara Virgínia Ciorlia Da Mata

BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA: UMA HOMENAGEM AOS HABITANTES DO BRÁS
Tatiana Silva Martins de Mello Sznick

BRÁS: CHEIROS E SABORES
Christian Silva Martins de Mello Sznick

TEATRO COLOMBO LEMBRA EPOPEIAS DO BRÁS
Eduardo Cedeño Martellotta

RAPAZIADA DO BRÁS
Amélia Silveira Cardoso Loffredo


DADOS TÉCNICOS


TÍTULO: Vamos falar do Brás? - 200 anos de memórias
AUTOR: diversos
EDITORA: Matarazzo
IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura p&b. Papel pólen soft 80 gr/m².
ILUSTRADO: sim
FORMATO: 15,5 x 23 cm
PÁGINAS: 109
ANO DO COPYRIGHT: 2018
ANO DE EDIÇÃO: 2018
ISBN: 978-85-69167-93-8